“E como é que você veio pro mundo?”, me perguntou a vidente. Pensei “pelada”, mas a resposta era “sozinha”. E essa foi apenas uma tentativa de me fazer perceber que o ideal é a gente se acostumar a viver sem a dependência de alguém. Mas nessa filosofia, a vidente esqueceu que quem me carregou durante 9 meses foi uma pessoa, a famosa minha mãe. Eu nasci sozinha, mas nasci fruto de outro ser. E dependente.
Mas a vidente se referia, no caso, àquela dependência de alguém que a gente pode escolher. Que a gente pode apagar. Que a gente não precisa ter um vínculo pra vida toda.
Recentemente pensei nesse dia da vidente, que me dizia um milhão de coisas que podiam ser resumidas em “não deposite suas emoções pra sempre nas entranhas de um ser”. Pensei e concluí que solidão não é “estar”, é simplesmente “ser”. Porque, no fundo, todos têm um pensamento egoísta. Por mais altruísta que uma pessoa possa ser, seu foco é sempre sua própria felicidade. Pensamento sozinho, mesmo que, para concluí-lo, as esperanças sejam depositadas em outra pessoa. Todo ser humano vive a vida à procura da bosta de felicidade sem sequer saber qual a definição dessa palavra, qual o real sentimento que tal palavra aplicada à realidade pode causar. Ninguém é feliz. Felicidade não é “ser”, é simplesmente “estar”. E na concepção do mundo imbecil que vivo, estar feliz remete automaticamente a uma vida que não seja de solidão. E deve ser verdade.
2013. Ano em que eu depositei todas as esperanças em uma mudança. E o que mudou em mim não tem a menor importância para os outros, próximos. Aparentemente todo mundo resolveu buscar a felicidade (seja lá o que ela for) e aparentemente, para isso, foi preciso “cortar” algumas pessoas. Cortar da vida mesmo. Temporária ou definitivamente. E nessa de reformulação de vidas alheias, tenho me sentido a pessoa mais sozinha do mundo. Enquanto todo mundo tá tentando fazer com que a vida melhore, eu me sinto descartada por amigos (ou pelo menos aqueles que eu julgava serem amigos) que resolveram, em atitudes claras, deixar exposto algo como “Fica aí enquanto eu estarei feliz. Quando eu estiver triste e na bosta de novo, você volta.”.
Que isso não pareça drama, mas nos dias que tenho crises por algum motivo banal, como qualquer outro ser humano normal pode ter, simplesmente não me sinto confortável de ligar para NINGUÉM e pedir um conselho, uma palavra de conforto ou de apenas dizer oi, pra tirar a sensação de solidão. Não tenho mais isso. Não existe mais nenhum ponto de paz.
Essa é uma crise. Mas não é por um motivo banal. É um alerta. Acho que cheguei naquele ponto que todo mundo chega um dia, sabe? De renovar os ciclos? De quebrar os elos?
Nunca fui o tipo de pessoa que vai atrás pra saber se tá tudo bem. Mas sempre fui o tipo que deixa claro os braços abertos para quaisquer desabafos. O tipo que tenta amparar se não estiver tudo bem. Resolvi mudar esse jeito de ser por reconhecer que as pessoas se cansam de ir atrás sempre. Mudei. Fui atrás e... esse texto aconteceu.
Sozinha, no fim das contas. Os amigos que vivem a vida a dois sempre gritam quando algo dá errado e quando voltam a ser sozinhos. Que gritem de felicidade, pra sempre, agora. Porque a estrutura solitária cedeu e o amparo espatifou-se no chão.
Mas a vidente se referia, no caso, àquela dependência de alguém que a gente pode escolher. Que a gente pode apagar. Que a gente não precisa ter um vínculo pra vida toda.
Recentemente pensei nesse dia da vidente, que me dizia um milhão de coisas que podiam ser resumidas em “não deposite suas emoções pra sempre nas entranhas de um ser”. Pensei e concluí que solidão não é “estar”, é simplesmente “ser”. Porque, no fundo, todos têm um pensamento egoísta. Por mais altruísta que uma pessoa possa ser, seu foco é sempre sua própria felicidade. Pensamento sozinho, mesmo que, para concluí-lo, as esperanças sejam depositadas em outra pessoa. Todo ser humano vive a vida à procura da bosta de felicidade sem sequer saber qual a definição dessa palavra, qual o real sentimento que tal palavra aplicada à realidade pode causar. Ninguém é feliz. Felicidade não é “ser”, é simplesmente “estar”. E na concepção do mundo imbecil que vivo, estar feliz remete automaticamente a uma vida que não seja de solidão. E deve ser verdade.
2013. Ano em que eu depositei todas as esperanças em uma mudança. E o que mudou em mim não tem a menor importância para os outros, próximos. Aparentemente todo mundo resolveu buscar a felicidade (seja lá o que ela for) e aparentemente, para isso, foi preciso “cortar” algumas pessoas. Cortar da vida mesmo. Temporária ou definitivamente. E nessa de reformulação de vidas alheias, tenho me sentido a pessoa mais sozinha do mundo. Enquanto todo mundo tá tentando fazer com que a vida melhore, eu me sinto descartada por amigos (ou pelo menos aqueles que eu julgava serem amigos) que resolveram, em atitudes claras, deixar exposto algo como “Fica aí enquanto eu estarei feliz. Quando eu estiver triste e na bosta de novo, você volta.”.
Que isso não pareça drama, mas nos dias que tenho crises por algum motivo banal, como qualquer outro ser humano normal pode ter, simplesmente não me sinto confortável de ligar para NINGUÉM e pedir um conselho, uma palavra de conforto ou de apenas dizer oi, pra tirar a sensação de solidão. Não tenho mais isso. Não existe mais nenhum ponto de paz.
Essa é uma crise. Mas não é por um motivo banal. É um alerta. Acho que cheguei naquele ponto que todo mundo chega um dia, sabe? De renovar os ciclos? De quebrar os elos?
Nunca fui o tipo de pessoa que vai atrás pra saber se tá tudo bem. Mas sempre fui o tipo que deixa claro os braços abertos para quaisquer desabafos. O tipo que tenta amparar se não estiver tudo bem. Resolvi mudar esse jeito de ser por reconhecer que as pessoas se cansam de ir atrás sempre. Mudei. Fui atrás e... esse texto aconteceu.
Sozinha, no fim das contas. Os amigos que vivem a vida a dois sempre gritam quando algo dá errado e quando voltam a ser sozinhos. Que gritem de felicidade, pra sempre, agora. Porque a estrutura solitária cedeu e o amparo espatifou-se no chão.