quarta-feira, 2 de maio de 2012

Bêbada. Seu olhar no meu. Uma dose. Fica um pouco mais. O erro do sorriso ousado. A ousadia da gargalhada cheia de sentimento. O toque quase sem querer. Fica um pouco mais. Já é de manhã mas o sol não tá aqui ainda. Espera ele aparecer. Espera ele iluminar seus olhos cor de madeira com verniz. Brilham tanto. Deixa esse abraço demorar um pouco mais. Deixa eu me demorar nesse instante. Fica um pouco mais. Ainda não deu pra te tirar daqui. Outra dose. Não precisa ouvir o que digo. Não precisa me ouvir cantando alto e tão desafinado, batendo as mãos na mesa só pra encontrar um ritmo que abafe a sensação desesperadora de bem estar que você me causa. Tentando fazer a euforia se esvair pelas mãos inquietas. Não. Só deixa esse momento de olhares se cruzando estagnar. Deixa esse paradoxo de sentimentos existir sem que o que é verdadeiro caia na contradição.

Andamos intocáveis. Andamos se rumo. Não queremos rumos. Estamos assim, exatamente como queríamos. Não. Não vai. Fica um pouco mais. Toma outra dose. Toma esse abraço. Toma esse beijo. Me toma pra você. Deixa a brincadeira da insegurança começar de novo. Deixa a gente recomeçar o que nunca começou. Olha como eu danço toda contida quando você observa. Olha você fingindo que não vê. Deixa o contra fluxo nos levar ao choque. Fica um pouco mais. Me dá um conselho bonito que não vou usar. Me deixa teimar com sua roupa. Me deixa puxar sua roupa. Não me deixa. Alucinada. Me sacode. Me acorda. Me dá seu ombro. Diz que amanhã vai ser bonito se a gente olhar pra aquela direção onde o sol teima em nunca aparecer. Diz que amanhã vai ser diferente. Mas fica um pouco mais. E leva de mim os outros que engendrei, e os outros que de fato existiram em mim, na tentativa de te encontrar. Na vã tentativa de fingir te perder.

Fica nesses rostos. Fica nesses outros. Fica nessa vida de a gente se encontrar pra uma dose. Pra gente se perder na gargalhada. Pra gente se soltar de novo. Que tudo na minha noite é você. Que tudo na minha vida é você. Que tudo no meu exagero é você ficar um pouco mais. Mais uma dose e te deixo em paz. Mais um cigarro e você pode ir com o gosto amargo na boca. O sol nasceu no dia nublado e você sequer notou que a claridade sem brilho ofuscou minha timidez, dessa vez. Aproveita e me ouve. Aproveita e fica.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vou pegar o resto que me resta da noite pra te contar um segredo. Fui eu que, naquela noite quente de um sábado eufórico, te liguei dizendo que queria ver o mundo com nossos olhos de novo.

Sabe o que tem na minha cabeça agora? Que eu poderia correr o mundo pra te alcançar, não fosse minha insegurança. Coragem existe, vontade existe. Impulso não.

Sou daquelas virginianas que são uma contradição, pela loucura existente e evidente, mas os pés sempre fincados no chão. Não precisa me entender, só precisa pegar esse ônibus e me fazer acreditar que tudo ao redor pode soar como melodia quando a gente dá um abraço de se afogar num peito cheio de batidas descompassadas de um coração.

Quero te contar do arrepio que sinto na nuca sempre que vejo aquela frase e aquela outra de coisa mais clichê que é o amor. Sabe que ele veio me visitar? É. Ele veio. Tinha ido embora há um tempão e deixado o rastro feio. Depois voltou todo torto e errado, como sempre foi, e me disse pra segui-lo, todo torto e errado.

Sabe que tudo era mais leve sem ele?

Quero te dizer da minha força. Quero te dizer mais esse segredo. Penso em cada detalhe seu todos os dias. Cada sorriso seu. Cada gargalhada que você já arrancou de mim. Quero te dizer da minha força. Ela não existe. Afinal, por que é que a gente tem que lutar contra alguma coisa que é de dentro pra fora? Porque o poeta disse que ‘a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional’, as pessoas privam-se do sofrimento lutando contra as próprias vontades, se achando fortes por isso. Sabe, forte sou eu por ser uma idiota. Forte sou eu que te guardo aqui. Orgulho é coisa de gente fraca.

Às vezes reflito sobre a vida quando algo muito pequeno acontece. Lembra como é caminhar na rua comigo? As perguntas, os porquês de coisas tão pequenas. O porquê da arquitetura. O porquê das formigas ali. O porquê do buraco no chão. O porquê dos mendigos. E de repente me pego nessa grande reflexão sobre a gente, fazendo os questionamentos pra mim mesma, já que por essas ruas ando sozinha enquanto você corre, vai embora.

Posse te dizer uma coisa? Vem cá. Me chama. Me deixa... deixa entrar. Deixa.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Começou há algumas semanas. E aí, desde essa coisa, não consigo mais dormir. E aí os meus dias se tornaram improdutivos. Minhas aulas se tornaram monótonas. Meu trabalho exigiu um esforço de concentração muito maior que o necessário. Meu caminhar na rua se tornou distraído.

Porque as horas do dia passaram a me consumir desde que a cada minuto o meu pensamento resolveu sair do foco do que é real. E tá me derrubando, como se estivesse tudo errado. Como se o certo fosse eu continuar agindo como uma filha da puta diante das pessoas que nunca me quiseram assim. Destruindo toda a felicidade que poderia começar a ser construída.

Andei tentando colocar tudo no lugar. Fazer a coisa certa em um único aspecto da vida pra que consequentemente o restante fosse se organizando pela minha própria natureza de ordem já pré-estabelecida aqui dentro. Mas faz três anos que ‘ordem’ não me pertence mais. Faz dois anos que o caos me dominou. Faz um ano que acalmei. Faz três meses que resolvi mudar. Faz dois meses que resolvi começar a mudança. Faz um mês que insisti na mudança que não tava vindo. Faz três dias que quis mandar tudo pra puta que pariu. Faz 7 horas que desisti.

A mudança depende da gente, sempre. Depende de mim. Só que quando a coisa ta na cabeça, a gente precisa do empurrãozinho, que é a maior das motivações. Só que quando o empurrãozinho é um chute pra gente esfolar a cara no chão, você desiste da mudança. E eu tô desistindo da mudança mais uma vez. E aí eu não consigo mais dormir, porque a mudança era necessária pra me tirar tanta gente ruim do pensamento. Mas tá todo mundo aqui, me fazendo fritar na cama. E a coisa na minha cabeça martelando.

Já fui mais orgulhosa. Já fui mais carinhosa. Menos chorona. Mais engraçada. Menos inútil. Já soube escolher melhor os pares e ímpares. Já soube mandar tomar no cu em vez de ficar sofrendo igual uma adolescente.

Levaram de mim o que pros outros faz uma diferença agradável. Levaram minha proteção. E a cada vez que a coisa ta na minha cabeça, é como se eu estivesse nua diante da vida, diante de uma guerra onde, a qualquer momento, a vulnerabilidade daria espaço pra uma bala cheia de dores, arrependimentos, rancores.. entrar em mim e explodir em mim. Boom. Tudo porque eu desisti de fazer a coisa certa, de novo. Desisti de mudar. Desisti do esforço que sempre faz a decepção ser muito maior.

Decidi ficar aqui, insone, mesmo com a coisa na cabeça, reconstruindo a minha muralha, a minha barreira de proteção. Já conheci a felicidade de perto quando destruíram minha barreira e, desde que a primeira felicidade foi embora, pequenas doses estilhaçadas dessa felicidade tentam vir ao meu encontro de novo, e eu deixo entrar. E me corta. Então vou voltar pro meu limbo, de onde nunca deveria ter saído. Vendo a felicidade mudar as pessoas, vendo a coisa mudar as pessoas. Assistindo de camarote, da minha bolha, o mundo do ódio e do amor se colidirem, o mundo felicidade ser descoberto pelos tristes cheios de razão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

- Ação das percepções e sensações sobre a base espiritual. Objetivação do ego em nível prático e técnico. Crítico e auto-crítico; caráter reservado e humilde. Temperamento nervoso e enfático; humor severo. Pensamento de fluxo constante, conteúdo sistemático e formal; vontade restritiva. Concentração e memória atentas; gosto detalhista, hábitos perfeccionistas; moral metódica, impulsos práticos. Tendências obsessivas e angustiantes.

Inibida, defensiva e exigente. Sensualidade pudica. Propensões celibatárias. Economia de emoções, sentimentos secretos e comedidos. Busca de conforto e sossego. Amor dedicado, desconfiado e silencioso. -

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Voltei. E comigo voltou uma avalanche (que não é avalanche) de emoções contidas. Talvez uma bola de neve de emoções. O que não faz de mim mais intensa. E os outros reapareceram pra mim com os mesmos problemas que me explodem na cabeça. Minha bola de neve de emoções é em relação às outras pessoas.

Ando com pouca paciência e muita preguiça de viver essas sessões diárias de faz-de-conta-que-finjo-muito-bem-que-sou-feliz. E cresce em mim, todos os dias, uma enorme vontade de regurgitar a cada atitude egocêntrica do próximo. Quero regurgitar um monte de palavrão e meu pâncreas sempre que percebo o quão insignificante e merecedor do desprezo é o ser que atropela o mundo carregando em si a infantilidade de não saber lidar com pessoas diferentes daquelas que ele está habituado a conviver.

Posso ser infantil em muitos aspectos, posso carregar e acumular emoções desnecessárias (uma emoção nunca é infantil), posso estar sempre a beira da loucura, posso rir e chorar na hora errada diante de acontecimentos sem sentido e posso não saber conversar com as pessoas direito, mas eu nunca tive a infantilidade de passar por cima de nenhum ser julgado inferior ou superior, apenas pelo prazer de suprir minhas pífias necessidades.

E uso o termo “infantil” por imaginar o tempo todo uma brincadeira de pega-pega ou esconde-esconde de crianças. No “salve-se quem puder” da infância, as atitudes egoístas vem à tona por quase que um instinto (na minha cabeça isso faz sentido). E aí, quando a gente cresce, o orgulho, a consciência e todos os aspectos de nossa índole e de nossa formação interna se tornam o ponto principal para que determinadas atitudes sejam tomadas. E pra mim, vocês egoístas, egocêntricos, umbigos do mundo, são infantis, inseguros, insensíveis e in... enfim...

Vocês, egocêntricos, vivem suas sessões diárias de faz-de-conta-que-finjo-muito-bem-que-sou-feliz de uma maneira triste e, por vezes, sem caráter. Ter orgulho e amor próprio em demasia só prova o tamanho colossal da insegurança que existe em vocês em relação às outras pessoas.

Não sei.. esse texto, o primeiro de 2012, é mais um desabafo. Por estar cansada de conviver com tanta gente que não quer saber da gente. Com tanta gente que acabou me deixando sozinha por medo de sofrer, por medo de perder, por medo de ver. E, sabe, isso me fez questionar: em quem eu posso confiar, afinal? Se atitudes egoístas se sobressaem, com quem eu estou segura? Onde que existe a reciprocidade de sentimentos (não estou falando só de amorzinho e mimimi)? Eu não tô com a cabeça boa há um tempo, mas tudo isso se conecta, pra mim. E esse não é um texto egoísta. É a minha forma de dividir e pensar no outro e dizer, da minha forma confusa, que não é bonito todo esse amor próprio. Você não se torna mais interessante, não é charmoso, não é legalzinho. E eu quero que você mude sua maneira de pensar conforme eu tento perder essa minha mania de querer mudar os outros. E, ah, esse texto não é egoísta porque simplesmente o nome desse blog não me permite.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Não ouse usar as minhas músicas, as minhas autoras, os meus fragmentos para exprimir seus pensamentos inteiros.

Não faça das chances que perdeu o alarmante pesadelo reprimido.

Não ouse tentar moldar as pessoas, já que não pôde moldar o mundo. Nenhum erro nosso pode ser justificado com a falta de consideração de partes nem tão feridas.

Já cansei de falar de ego e de amores que nunca dão certo. Não seja mais esse clichê. Você é esse clichê. Tire-o das minhas vontades de gritar pro mundo o repúdio que ando sentindo ao olhar ao redor do seu universo. Te julgo. Não ouse me julgar. Não aponte o seu dedo na minha cara de quem quer ficar sozinha, minha vontade cara de pau de querer o mundo, mas estar habituada demais à solidão para querer fazer parte desse mundo bem quisto.

Não ouse deixar de me querer, por mais que eu esteja aqui, jogada nos braços alheios, sempre sozinha. A minha necessidade de ti ultrapassa o desejo de estar só.

Não ouse ir por esses antigos-novos-ares. Inove com o seu clichê de voltar pra mim, seu antigo-novo-ar que te tira o folego nesse ambiente traiçoeiro.

Não ouse contestar a minha confusão. Não use a justificativa da loucura para tornar o abandono mais fácil. Abandonos me doem. Não sei dizer adeus e abandonos me doem bem aqui dentro. Sou menos humano que você, pessoa cheia de orgulho. Abandonos me doem e eu não sei fingir que tá tudo bem. E eu não sei fingir nada, na verdade. Então não ouse fazer da nossa vida esse abandono constante. A sua volta nem é tão legal assim... mas o abandono me dói. Volta.. e faz tudo que tá ruim voltar a ser nem tão legal.

É tudo mais leve quando você precisa de mim. Não ouse fazer disso a minha alegria, não ouse fazer disso o seu desespero. O meu desespero é saber que o seu desespero é ver a minha alegria ao perceber a leveza de você precisando de mim. Não precisa entender essa frase. Sou confusa, entende?

Fica com ela. Usa minhas músicas que nem são minhas mesmo, minhas autoras que nem são minhas mesmo, meus fragmentos que são meus mas são fragmentos. Usa meus fragmentos pra ficar com ela, então. Eu prefiro o inteiro, e não os caquinhos que vamos juntando pra tentar reconstruir algo que já tá frágil. Engole meus fragmentos que você ainda faz questão de juntar pra contruí-la.. mas não ouse juntar os fragmentos dela pra construir a gente de novo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estou desistindo do nosso grande amor. Do meu grande amor. O desespero de te querer demais tem me sufocado. A ausência daquilo que sentíamos tem atordoado, todos os dias.

Já não existe, como sempre existiu, a sua necessidade de me querer tampando seu vazio inexistente, gritando por algo que encobrisse uma falsa solidão, sentida em noites quentes e frias, na distância de um amor que não pôde ser sentido com toda aquela intensidade, apesar de tanta intensidade.

Você foi crescendo em tudo ao redor enquanto eu definhava no seu mundo. Era isso o que você chamava de “amor da vida”? Um amor pelas costas, um amor vivido pelos ares de outros seres, frágeis como nós, perdidos como nós que, em tanto tempo de troca, não conseguimos encontrar o que nos faltava, nem o caminho para o coerente, o consciente, o descente. O descente é o agora. O longe. O perdido. A moral está aqui comigo. Está com você?

Discutir egos feridos só vai te alimentar o ego inflado. Não preciso. Não precisas. Sejamos precisas em tudo isso que deixamos à deriva num mar azul escuro transparente. Nesse mar onde nos afogamos pelo desespero doentio de querer nos salvar. Quis te salvar. Você quis se salvar, também. E o peso na consciência nos afundou pra sempre.

Seja feliz, é o que não queria desejar, mas desejo, no fundo. Longe de tudo o que nos faltou, de tudo o que eu não soube ou não pude dar, que você seja feliz. Diante dos meus caminhos encontrei amores tortos, sem carnavais e calafrios.. mas você... ah... você sempre encontrou novos carnavais. Você sempre encontra novos carnavais. E a sua alegria é a mudança de blocos constante. É a serpentina caindo no cinza de grandes avenidas vazias. Sem melodia. Sem harmonia.

Não posso mais. Não consigo mais. Não existe mais uma fonte de onde possa tirar a força que encontrei durante todo o tempo para tentar fazer sobreviver o que já estava muito vivo, de olhos fechados. Estou desistindo do nosso grande amor, antes que o espanto pelas coisas vividas diferentes do que planejávamos aconteça. Estou desistindo do nosso grande amor já que, desde sempre, a existência dele nunca existiu na sua vida.