quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Pouco Que Sobrou

"Eu cansei de ser assim/ Não posso mais levar/ Se tudo é tão ruim/ Por onde eu devo ir?/ A vida vai seguir/ Ninguém vai reparar/ Aqui neste lugar/ Eu acho que acabou/ Mas vou cantar pra não cair/ Fingindo ser alguém que vive assim de bem/ Eu não sei por onde foi/ Só resta eu me entregar/ Cansei de procurar o pouco que sobrou/ Eu tinha algum amor/ Eu era bem melhor/ Mas tudo deu um nó e a vida se perdeu/ Se existe Deus em agonia/ Manda essa cavalaria/ Que hoje a fé me abandonou."

terça-feira, 10 de junho de 2014

Irreflexão

A gente às vezes não quer refletir. Quer só se jogar na cama e dizer em voz alta "que se foda!". Porque naquela hora nada importa. Naquela hora só é importante esquecer o que importa. Só que quando as horas passam e a gente retoma nossa consciência, refletimos. E é a partir daí que tomamos decisões que podem mudar rumos. Pessoas. Vidas.

Só que às vezes não é tão fácil chegar a alguma conclusão. Nossos sentimentos nos pegam assim, de surpresa, e esperam que nossas reações sejam condizentes com o que o outro espera. Só que nunca é. Porque por mais que o nosso corpo peça, implore, nossa cabeça é caos. E é difícil concluir. Porque nossa cabeça dá reviravoltas a cada atitude inesperada. E por mais que o corpo grite "SIM!", nossa consciência grita "NÃO!".

Tentar entender a cabeça do outro só nos enlouquece. Só que a gente não consegue se desprender disso. Porque saber o que o outro quer faz bem pro ego. E não precisa ser egocêntrico pra ter ego. E não precisa ser neurótico pra isso se tornar uma neura.

Refletimos sobre questões que não exigem a menor reflexão. Se não há vivência não há nada. Às vezes não pensar é a melhor forma de agir. Agir sem pensar. E se tal ação não der certo, reflita. E assim amadureça. Porque nem sempre nossas reflexões nos levam a ações corretas. Muitas vezes é preciso perder a cabeça pra entender situações que estão longe do nosso alcance reflexivo.

Eu, virginiana, pé no chão, com todos rótulos que levo, aprendi a pensar menos em tudo. Deixar as coisas fluirem. Porque uma atitude certa tem muito mais a ver com o que os outros vão achar, dependendo do sentido. Não adianta ser fria e calculista com um ser humano quente.

Refletir nem sempre é a solução. Às vezes o que conta é fechar os olhos e ir. E gritar "eu vivi isso!". E se arrepender ou não. E amar ou não. E sofrer ou não. Não adianta fugir. Isso é a vida. Se a gente não aceita o que ela oferece pro bem ou pro mal, a gente vive infeliz. A gente fica imaturo. Às vezes gritar um "que se foda" sem pensar vale mais que um "eu te amo". Ou vice versa. Pare e pense. Não precisa refletir. Reflita.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Nostálgico Alpes

A melhor fase da minha vida. Começou em uma noite de clima ameno típica do verão lá na serra. Devia ser um sábado e eu estava em uma fase solitária, reclusa no meu mundo. Bicho do mato mesmo. Meu irmão tinha amigos novos que pareciam ser tão legais e tão da minha idade... Enquanto eu perdia tempo com “amigos” um pouco mais velhos que já mostravam, naquela época, que seus interesses não iam muito além do banal. Ostentavam pertences. Ridicularizavam os outros. Criavam atritos vergonhosos. Eu era pré-adolescente. Aceitava-os porque “me aceitavam” ali. E porque era o máximo passar com minha motinho por algum deles e buzinar. O status de “popular” era só o que importava pra mim. E essa fase foi passando à medida que fui “perdendo” a pessoa que me fazia estar ali no seleto e trivial grupo. Amaraina. Meu maior elo da infância. (Tem um texto só pra ela aqui). Perdi a Mara para um rapaz que se tornaria seu namorado. Namorado que fazia parte do grupo de pessoas mais velhas e que tinha uma irmã com o mesmo nome que eu que fazia parte daquele grupinho menor, que parecia ser tão legal, de amigos do meu irmão. A Mara tirava a minha timidez e, sem ela me dando 100% de atenção no grupo de futilidades, fui me retirando à francesa. E acho que se eu tivesse gritado que tinha abdicado de passar minhas noites dos fins de semana ali com eles, também não seria notada. E então veio a fase bicho do mato. Morava num condomínio onde meus velhos amigos sequer existiam e eu não tinha a menor coragem de fazer novos. Pelo menos até aquela noite de clima ameno.

Estava eu passeando sozinha em minha poderosa motinho pelo condomínio. Era algo habitual e quase diário. (Andar de moto foi uma das melhores terapias que tive na vida e a falta que sinto do vento batendo no rosto é infinita). Passava por uma rua escura quando um roedor GIGANTE parou na minha frente e ficou me encarando como se eu fosse um pedaço de queijo ou algum fruto deliciosamente comestível. (Era muito comum animais silvestres brotarem na nossa frente devido à instalação do condomínio: Serra da Cantareira). Eu, muito assustada, acelerei (desviando do bichinho, claro). Após alguns metros percorridos me deparei com pessoas reunidas na beira da rua, espalhadas por uma calçada de grama bem aparada. Cinco garotas e três garotos. De longe, avistei meu irmão em meio aos outros. Eram eles. O grupinho que parecia tão legal. Fui me aproximando e acho que pelo fato de estar com a adrenalina altíssima (o roedor realmente tinha me assustado e eu havia corrido bastante com a moto), esqueci que eu era A timidez-bicho-do-mato-sem-amigos e resolvi parar. As únicas pessoas ali, além do meu irmão, com quem eu já havia conversado alguma vez na vida eram: Xanda e Andressa. (no texto pra Mara falo sobre elas). Duas garotas que deixaram de ser melhores amigas da Amaraina por minha culpa. Porque eu pedi pra Mara escolher entre elas e eu. Resumindo: eu não ia com a cara delas e elas não iam com a minha. Foda-se. Parei mesmo assim. A minha abordagem, obviamente direcionando a palavra ao meu irmão, foi a seguinte. “MANO ACABEI DE VER UM BICHO MUITO ESTRANHO NA RUA ACHO QUE ERA UMA RATAZANA ELA PAROU NO MEIO DA RUA QUASE ME ATACOU TIVE QUE VIR NO PAU PRA CA!”.  Após todos ouvirem o meu drama selvagem, a irmã do namorado da Mara que tem o mesmo nome que eu já estava ligando o seu mini bug. Em 5 segundos havia 4 pessoas em cima do bug (que só tinha lugar pra duas pessoas, mas a galera subia nos ferros e me leva, Brasil!) e eu com a moto na frente, todos indo em direção ao local onde antes havia a suposta ratazana. O animal não estava mais lá e eu, sem jeito, resolvi que ia embora. Antes de efetuar minha decisão, porém, a Débora que não sou eu falou “fica aí com a gente.” Pronto.

Voltamos para a calçada de grama, onde se encontravam as que não gostavam de aventuras: Xanda, Andressa, Vivian e Lígia. Não lembro qual foi a reação delas ao me verem ali, mas lembro que em apenas alguns minutos eu já me sentia uma íntima amiga. Eles estavam com um papel na mão e eu perguntei o que era. Era a letra da música “Mr. Jones” do Counting Crows. Ali, naquele momento, eu soube, juro que soube que aquela era uma turma singular e realmente tão legal. Porque enquanto a minha ex turma conversava sobre quem tem o que ou quem vai pegar quem, a turma onde me encontrava naquele momento estava com um papel com a letra de uma música muito legal.

Depois desse dia, essa era a minha turma. Aqueles eram os meus amigos. E a cada encontro eu tinha certeza de que aqueles eram, de fato, amigos. Foi nessa fase, com eles, que construí meu caráter. Que aprendi a ser sincera, a não levar desaforo pra casa, a ser solidária, a conversar, a ouvir, a brigar (isso era o que mais acontecia) e, acima de tudo, a respeitar opiniões diferentes da minha. Era um grupo tão singular que de vez em quando dava a louca e um começava a falar os defeitos do outro. Mas não com o intuito de ofender. O intuito era nos tornar melhores. Fazer com que a convivência fosse sempre boa (a gente brigava muito MESMO). Foi em um ataque de sinceridades desses que aprendi a enxergar o momento certo de parar. Até hoje sei. Parar de falar, parar de beber, parar de chorar. Eu juro que sei.

Era um grupo tão lindo que, em dias de calor, um ligava pro outro pra saber na piscina de quem todo mundo ia nadar. Ou todo mundo resolvia fazer trilha. Ou jogar futebol. Ou vôlei. Ou pular no lago de roupa. Ou fazer qualquer coisa estranha que desse vontade. Era tão especial que ninguém ligava pra ninguém à noite (só a Débora), mas todo mundo estava na calçada de grama, na rua Goiânia, entre as casas da Vivian e da Lígia, no horário que dava vontade. Era uma ligação tão forte que ficava explícita nas questões geográficas. Renan vizinho de muro da Lígia que era vizinha da frente da Vivian que morava na mesma rua que a Andressa. Algumas ruas pra baixo, Xanda que era vizinha da Débora que moravam na mesma rua que meu irmão e eu.

A gente não tinha frescura com nada. Procurava quase que diariamente alguma forma de rir. Alguma emoção. Alguma conversa importante. A gente se encantava com o simples. Quantas tardes passamos na famosa caixa d’água assistindo o pôr-do-sol e comendo trakinas de limão (saudades trakinas de limão). Quantas noites deitamos no meio da rua, no pico, e ficamos olhando as estrelas enquanto fazíamos digestão das inúmeras esfihas do La Bambinas ingeridas. Quantas chuvas bizarras de estrelas cadentes vimos ali, e era algo tão banal naquelas madrugadas que a gente sequer fazia um pedido.

Crescemos juntos. Crescemos diferente. E no decorrer dos anos, novas pessoas entraram no seleto grupinho. Ju, João, Scooby, Paula. Novas pessoas. Novas brigas. Novas pessoas. Novos amores. Posso afirmar que foi com eles, certamente, que passei os dias mais felizes da minha vida. E provavelmente foram essas pessoas as que mais me fizeram rir.

O tempo foi passando, uns foram se afastando, outros namorando, outros brigando, outros mudando. E assim, a desculpa de que está ocupado ou o fato do orgulho falar mais alto fez com que nós, agora adultos, agíssemos como adultos agem. As prioridades se tornaram outras. Os amigos se tornaram outros. A culpa é de alguém? Claro que não.

O texto já está gigante e, por mim, contava cada episódio de algum dia desses muitos que passamos juntos. Já imaginamos as ruas do condomínio como páginas de livro, já fizemos piquenique em cima da caixa d’água, já invadimos casas alheias e corremos assustados com nosso próprio barulho, passamos trote, quase morremos, nossas mães já foram buscar a gente de carro, de madrugada, putas da vida e as pessoas das casas já brigaram por causa do barulho na rua. Já fizemos festa. Já dançamos nas festas de 15 anos. Já viajamos juntos, caminhamos juntos, nadamos juntos, participamos de cursos juntos, varamos madrugada juntos, dormimos juntos, passamos páscoas, carnavais, halloweens (saudades IMENSAS de sair pedindo doces com eles), réveillons, festas juninas (sempre as melhores e sempre nos vemos nas festas juninas até hoje), feriados juntos, medo juntos, cozinhamos juntos, bebemos juntos.

Sabe, uma das maiores dores da minha vida foi quando eu tive que me mudar de volta pra São Paulo. No meu último dia lá, já no carro pronta pra ir pra Sampa, olhei pra minha casa, pra minha rua.. depois, já indo, olhei pros lagos, pra sede ao fundo, a quadra... e fui tomada por um sentimento inexplicável. Tipo um sentimento de gratidão misturado com nostalgia. Foi ali. Parte do que eu sou hoje foi construída ali.

Escrevi isso tudo pois durante esses dias me bateu saudade desse tipo de amizade. Desse que já tá calejado. Que todo mundo se conhece tão, mas tão bem, que quando a gente se vê é inevitável fazer alguma piada de mau gosto sobre algum fato já antigo que foi dramático mas agora faz todo mundo rir. Amizade leve. Necessária. As poucas vezes que nos reunimos por ano agora são sempre especiais. Sempre leves e engraçadas. O tipo de sensação que eu queria levar comigo a vida toda. E parte de mim leva.

A gente conseguiu reunir quase todo mundo (faltou a Lígia) em 2012 (sem ser em uma festa junina). E eu não publico foto nesse blog, mas dessa vez vale.

Ps: não irei publicar fotos antigas pois a gente era ainda mais feio antigamente e certamente vão me xingar.

Ps 2: coloquei a cara da Lígia na cara do namorado da Vivian pois acho válido e não quero que critiquem minha perfeita montagem.





sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vozes dessa madrugada

O que me chateia é a vida. É o fato de olhar pra multidão frenética na sua constante e rotineira movimentação. No fluxo indiferente. No caminho vazio. Notar olhares em busca de nada, isso que me chateia. Perceber o oco de cada ser humano que busca algum sentido no entardecer. Que encontra desvios de olhares a cada contato com seu semelhante.

O que me entristece são as pessoas. Cada uma com seus objetivos. Esquecendo de datas importantes. Esquecendo de palavras importantes. De gestos importantes. Aceitando o que é cômodo pois simplesmente é cômodo. E infeliz. Porque a felicidade nunca é cômoda. A felicidade é arruaça, é explosão, ainda que haja a paz interior. Elas não entendem nada. Elas me olham nos olhos com ar de quem domina sentimentos. Não sabem o que querem. Não sabem o que fazem. Se perdem na vastidão de simples palavras ditas em momentos oportunos.

Vida oca é o que me deprime. É notar que raras vezes o que foi feito pra me atingir foi feito de coração, e não para o próprio ego. Me deprime ter consciência de que as palavras ditas não foram singulares. Não visavam atingir um único objetivo, um único ser humano. Amplamente alcançavam aquele momento de vulnerabilidade. Aquele momento em que uma palavra de conforto serviria. Uma palavra de conforto daria vigor e coragem.

O que me assusta é a solidão. Dia após dia notar que as atitudes não têm importância. Perceber que o seu elo do passado está preocupado com o futuro enquanto você estagnou. Porque nem sempre é fácil progredir. Nem sempre é fácil crescer na vida e acompanhar aqueles para quem confiamos nossa companhia. Às vezes nosso espírito, consciente ou não, está inquieto buscando sabe-se lá o que. E precisa desatar laços que já estavam deteriorando. Pra buscar a essência que realmente importa mas que é quase invisível para quem precisa do superficial. Me assusta, o superficial.

Estou em busca do que se perdeu com o passar dos traumas. Estou em busca de uma personalidade necessária para manter o orgulho. Estou em busca de uma força que não seja passageira. De uma amizade que venha devagar e me tire da merda desse limbo que é a vida e que é a solidão. De uma pessoa que me mostre que é possível se desprender do vazio e passar a admirar o que se sobressai, no meu ponto de vista.

O que procuro está aí em você. No seu sorriso, no seu piscar, no seu caminhar pelos ares secos de asfaltos quentes. O que preciso é de sua aceitação. Só assim vou me conformar com essa solidão, com esse vazio, com essa movimentação superficial e com essa paz que insiste em se transformar em barreias a serem ultrapassadas. Estou tentando ultrapassar os limites impostos por minha mente. E minha mente está tentando fazer com que as barreiras se transformem em lindos campos floridos. Onde cada flor é um clarão e cada luz no fim da noite é um trauma solitário que se desfaz.

sábado, 7 de setembro de 2013

Erros periódicos


Eu quis trazê-la pro meu mundo com a melhor das intenções. Não foi pra ter apenas uma noite de conversas levianas. Nem pra destruir uma vida que já foi construída ao longo de curtos meses. Eu só queria a certeza de tê-la ali, pronta pra segurar um mundo todo meu que poderia desabar a qualquer momento na sua cabeça. Sem maldade. Queria apenas sentir a troca fundamental. A troca de energias, ideias, confidências.

Mas eu sempre estrago tudo. Sei separar situações e esqueço de avisar o próximo que é preciso haver uma separação. E que é preciso não criar expectativas. Porque ela cria expectativas em relação a mim. E imagina situações. E me inclui em histórias que eu não tinha a menor intenção de ser a protagonista. Isso porque estraguei tudo. Porque eu soube separar. E porque eu quis que ela fizesse parte do meu dia com a melhor das intenções.

Às vezes sou uma grosseira, uma nojenta, uma ruim porque sempre boto fé que esse tratamento de choque vai fazê-la sofrer menos. Mas é o contrário. Porque eu sempre estrago tudo. Porque mesmo grosseira, nojenta e ruim, preciso dela na minha vida com a melhor das intenções. Pra me fazer rir em dias banais ou em madrugadas insólitas. Pra botar na minha cabeça que sou mais, ainda que seja menos.

Me desculpa. Fui egoísta todo esse tempo. Soube separar e não contei que ela nem ia precisar de mim se realmente não quisesse. Só que eu quis. Porque as minhas intenções eram outras. Eram as melhores. Olha só a vida dela. De repente tão longe da minha. Como se eu não precisasse daquela maneira peculiar de dizer palavras impactantes pra poder enxergar o mundo como ele realmente é.  Preciso dela. Especificamente dela. Como se houvesse uma conexão que só pudesse ser cortada com uma sincera indiferença. Indiferença que jamais vai existir.

Grito por ela. Mas grito contraditória, calada, contida. Ela me acua. Intimida. Sempre que não estrago tudo, um ar de indiferença predomina nela. Sei que finge, assume tal posição pra me repelir. E como num ciclo sem fim, trago ela até mim, trago seu ar de indiferença e estrago tudo de novo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Germinando

Esse blog é meu refúgio psicológico. Não tenho a intenção de expandi-lo e não tenho a intenção de abandona-lo. É pra quem me conhece sem conhecer. Ou pra quem quer se conhecer de acordo com outro ponto de vista. E ele flui como eu, devagar e racional. No momento, nenhum dos textos escritos passaram por minha crítica triagem. Irracionais demais. Impublicáveis. Estão encostados, empoeirados, esperando passar o tempo para que possam dar o ar da graça. Porque quando tem muito sentimento posto em palavras, é preferível, pra mim, publicar tempos depois. Quando fico muito tempo sem publicar aqui, não significa que não está havendo emoção na minha vida. É justamente o contrário.

Espera o turbilhão passar. Logo, logo a vida vira tédio e aqui vira alegria.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Guardei o melhor

Até sonhei. Já sonhava antes, mas dessa vez foi diferente. Antes era obscuro, frio, hostil, sensação solitária, eterna despedida. Mas na noite passada veio me visitar de maneira inesperada. Foi surpresa

Entrei no quarto, lá na serra, na casa que nem moro mais, e havia fotos. Nossas fotos. Espalhadas pelo armário, janela, paredes, cama, banheiro. Tudo. O cômodo tomado de amor congelado em imagens. E aquela exata sensação dentro de mim. Aquela que sei que sentiria se fosse de verdade.

Chamei minha mãe e perguntei “cadê?”. E ela respondeu “deixou as fotos lá e foi embora dizendo que voltava. E que te amava.”. Sabia que amava, mas não voltava.

Para minha surpresa, me deparei com um sorriso ao voltar pro quarto. Sentei na beira da cama pra ouvir o que tinha a dizer. E era muito, o que tinha a dizer. E eu também tinha um mundo de coisas pra conversar. Foram tantos anos... Mas preferimos jogar conversa fora. Falar sobre qualquer coisa. Falar sobre como a falta de assunto dos outros nos entediava. E como a falta de poesia dos outros fazia morrer o que poderia se tornar algo parecido com amor.

Era noite quando resolveu perguntar sobre o destino. Eu já estava deitada na cama. Não por cansaço, mas porque era mais confortável ouvir tudo naquela posição. E eu queria ouvir tudo pra sempre.

E assim, de uma hora pra outra, acabou. O despertador tocou. Voltei lentamente à realidade. Um estrago na minha vida. A felicidade do meu dia.